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Desde: 26/05/2004      Publicadas: 8      Atualização: 15/06/2004

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  15/06/2004
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Ditadura: Valadares no centro do golpe

Clima tenso. Fazendeiros e trabalhadores a espera de um confronto. No dia 30 de março a previsão se concretiza: um tiroteio no sindicato dos trabalhadores da lavoura.


O presidente da República, João Goulart, prometia desapropriar as terras ao longo das rodovias federais. Em Valadares, havia também promessas de desapropriação das terras pertencentes à Grã-duquesa de Luxemburgo e parte do patrimônio da Cia Siderúrgica Belgo Mineira, administrada pelo Coronel Altino Machado, estimada em 188 alqueires.

A economia da maior cidade do Vale do Rio Doce – com 100 mil habitantes na época – era baseada na pecuária. O rebanho chegava as 270 mil cabeças, entre bovinos, suínos e eqüinos e menos de um décimo de seus 2.447 quilômetros quadrados era ocupado pela agricultura.

Os planos de Jango acabaram soando como agressão aos fazendeiros. O presidente também previa a desapropriação dos 800 alqueires de fazenda do Ministério da Agricultura e dos 828 alqueires que pertenciam ao Frigorífico Anglo. O motivo seria a má administração das áreas.

Os fazendeiros ficaram em pé de guerra contra o ministro da agricultura, Osvaldo Lima Filho, e o presidente da Superintendência da Reforma Agrária(Supra), João Pinheiro Neto. “Essas autoridades querem insuflar invasões e pregar o comunismo, sem dar qualquer atenção às autoridades locais”, disse o Coronel Altino Machado, em entrevista ao jornal Estado de Minas, em fevereiro de 1964.


O Comunismo

O jornalista Carlos Olavo da Cunha, irmão do deputado udenista Simão da Cunha Pereira, era o suposto pregador do “comunismo” no Vale do Rio Doce. Dono do jornal “O Combate”, foi acusado de ser mentor intelectual do sapateiro Francisco Raymundo da Paixão, o Chicão.

Carlos Olavo condenava a argumentação e afirmava na revista “O Cruzeiro”, em 14 de março de 1964: “Chicão é um líder mesmo. Seus liderados são até capazes de morrer por ele. Pode não ter cultura, mas é um homem inteligente, além de corajoso e decidido”.


Clima tenso

“Carlos Olavo e Chicão, num autêntico desrespeito às autoridades, declararam que os comunistas estão armados para promover invasões e esmagar qualquer resistência”, dizia o Coronel Altino Machado, em 1964.

Carlos Olavo se defendia: “da parte dos trabalhadores a situação está tranquila, porque eles estão confiantes que o governo cumprirá integralmente o prometido. Os lavradores não pretendem invadir terras de ninguém.”

O perigo, segundo o jornalista, estava no desespero dos fazendeiros, que teriam proclamado abertamente estarem se organizando em milícias, sob o comando do Coronel Pedro Ferreira.

O Vale do Rio Doce virou notícia no país. O conflito iminente mobilizou até o exército brasileiro, que foi colocado de prontidão para impedir o pior.
  Autor: Lauro Moraes


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